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A DIMENSÃO MISSIONÁRIA DA CONGREGAÇÃO LOCAL
Preâmbulo
A 21ª Conferência Europeia Luterana esteve reunida de 3-6 de Junho de 2010, em Ermesinde no Porto, Portugal, sob o tema “A dimensão missionária da congregação local”. Estudamos a importância da missão sob várias perspectivas. Queremos que os assuntos estudados sejam compartilhados com nossas Igrejas e, na medida do possível, usadas a nível congregacional.
Apesar do conceito de missão ser sempre apenas um “ir e “vir”, nós consideramos alguns pontos em comum, onde a Igreja entra em contacto mais directo com o mundo e o que estes contactos tem a dizer sobre a nossa identidade, nosso propósito e a nossa tarefa. Nosso tema foi dividido em 6 sub-temas, que nos proporcionaram muitos assuntos para discutir.
1. O Foco missionário da Congregação
Ponto principal: A missão da congregação é o de “matar” e “ressuscitar” em Cristo.
O propósito da missão não é o de reformar ou fazer com que as pessoas vivam uma vida melhor, ou impor sobre os outros a nossa cultura para fazer com que eles sejam ou pensem como nós. O propósito da missão é usar a Lei de Deus para acabar (matar) com todos os seus (nossos) ídolos e então proclamar o Evangelho para que eles possam ter uma nova vida em Cristo através do perdão dos seus pecados. Missão não se resume em tentar mudar o comportamento das pessoas, mas dar a eles uma nova vida em Cristo.
2. Os congregados em missão
Ponto Principal: Todos os crentes em Cristo, que vivem um relacionamento com Jesus estão envolvidos em missão.
Nutridos e sustentados por Jesus, que habita com o seu povo através de Palavra e Sacramentos, cristãos saem dos cultos e entram em contacto com o mundo todas as semanas, para levar a presença e as bênçãos de Jesus para o mundo. Missão refere-se a nossa identidade e sermos aquilo que somos. Da mesma forma como vivemos o nosso baptismo em nossa vida (cf. o ensino de Lutero a respeito da vocação), assim Jesus está no mundo a atrair para ele todas as pessoas.
Missão não é ter apenas um programa para fazer com que a Igreja cresça ou os nossos ouvintes sejam sempre muitos, mas é o nosso envolvimento com as pessoas, tendo a possibilidade de os servir. Agindo dessa forma, estaremos compartilhando a graça de Deus. Reconhecemos a tensão que existe quando, ao apontar para Jesus, isso pode sugerir que a nossa aproximação com os outros é apenas para tentarmos “vender o nosso produto”. Consideramos valioso o conselho de “pregar o evangelho sempre, e quando necessário, usar palavras” (São Francisco) e falar de Jesus quando formos convidados para isso. Mas sabemos que existirão momentos em que devemos ser nós a tomar a iniciativa e convidar as pessoas para “vir e ver Jesus”. Nós oramos para que o Senhor da seara envie trabalhadores para a sua seara e nos dê os olhos para percebermos como melhor servir no lugar onde vivemos.
3. Envolver as Crianças
Ponto Principal: A habilidade e capacidade de aprender das crianças é infinita, e enquanto a Igreja permanecer perto delas e trabalhar em cima de sua curiosidade poderá formar o seu futuro.
Nós compartilhamos uma meta e uma visão comum para crianças, e sabemos, independentemente do tamanho de nossas igrejas, que nós compartilhamos alegrias e dificuldades parecidas. Todas as formas de apresentar e pregar a Palavra de Deus são importantes. Mesmo aquelas coisas que, no nosso ponto de vista, parecem não comunicar nada, podem dizer algo para os nosso vizinho. Crianças são encorajadas em se fazer presentes cada vez mais na Igreja e também desafiadas a ajudar a criar e a melhorar os seus próprios programas.
Não devemos esquecer que o mundo está cheio de tentações. Devemos pensar juntos para melhorar e adaptar todos os nossos recursos que temos para as crianças. “E Jesus chamando um menino um menino, o pôs no meio deles, e disse: Em verdade, em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se tornar humilde, como este menino, esse é o maior no reino dos céus. E qualquer que receber em meu nome um menino, tal como este, a mim me recebe” (Mateus 18.2-5).
4. Envolvendo os jovens
Ponto Principal: A igreja é o povo de Deus, enviado para anunciar o amor e o perdão a todos. Os jovens são a Igreja e são parte dessa missão e não deveriam ser tratados como “pessoas diferentes” na Igreja.
Por esta razão, as congregações Luteranas devem lembrar-se que existem alguns factores importantes que contribuem para uma participação mais efectiva dos jovens em actividades missionárias:
1 - Jovens precisam do exemplo, compreensão e contacto com os adultos da congregação, que além de modelos são pessoas com as quais os jovens podem contar;
2 - Jovens precisam sentir-se úteis na congregação e sentem-se motivados quando podem assumir tarefas interessantes e importantes e quando são convidados a fazer parte das decisões que são feitas dentro da congregação;
3 - Jovens necessitam realizar as suas próprias actividades, como, por exemplo, encontros e retiros, onde a amizade é desenvolvidada. Precisam de abordagens que os ajudem a perceber o Cristianismo, o seu papel na Igreja e como Jesus pode mudar as suas vidas;
4 - A Igreja pode motivar o jovem a desenvolver os seus dons para o trabalho de Deus;
5 - Jovens devem estar envolvidos em actividades missionárias onde eles possam usar os seus talentos. Eles são encorajados e motivados quando eles percebem o efeito que Deus tem na vida de outras pessoas;
6 - E o mais importante, a Igreja precisa estar atenta, para que os joves sejam fortalecidos e preparados com a Palavra e Sacramentos.
5. A Igreja e as Artes
Ponto Principal: Dois mil anos mostrando ao mundo que o Verbo se fez carne produziram uma riqueza de expressões artísticas que influenciaram e moldaram a identidade cultural, e a Igreja fará bem ao se lembrar e usar toda essa história em qualquer discusão sobre missão.
Dê uma olhada para as expressões da Palavra de Deus visível que está em todas as artes, incluindo a arquitectura das Igrejas, esculturas em Igrejas e cemitérios, artes visuais em galerias e museus, música, quer seja ópera, rock, soul ou pop, e literatura, incluindo poesia e teatro. Olhe mais de perto e diga o que você vê, ouve ou descobre, e fale, compartilhe isso com os outros. Uma sugestão prática para cada congregação é a produção de um guia ou livrete de nossas Igrejas e seus ornamentos.
6. A Igreja em locais públicos
Ponto Principal: A Igreja está onde o povo está.
A Igreja (Una Sancta) está invisível no mundo e nós somos membros dela através da fé em Jesus Cristo. A Igreja está visível em qualquer parte onde a Palavra e os Sacramentos são administrados correctamente. Nós temos uma identidade clara baseada exclusivamente em Cristo e na Sua Palavra e Sacramentos e a nossa confissão a respeito deles. Nós somos luteranos confessionais e confessantes.
Jesus deu-nos uma missão: Temos que ir e compartilhar esta Palavra e Sacramentos com o mundo. Temos que levar a nossa confessionalidade para a sociedade e não deixá-la dentro das Igrejas (construções) ou apenas para nós. Apesar do mundo não se dar conta, ele necessita exactamente daquilo que nós temos para oferecer. Por isso, precisamos usar a nossa criatividade e todos os recursos que temos para anunciar o que uma Igreja Luterana Confessional tem para oferecer. Usando os interesses e a linguagem do mundo nós podemos anunciar aquilo que Deus tem para oferecer. Nós podemos usar todos os recursos que Deus nos dá (incluindo as igrejas, construções).
Cristãos devem dar seu tempo e talentos para a missão em todos os lugares que estiverem na sociedade. Nós podemos e devemos usar todos os meios de comunicação que temos à disposição para falar a respeito de Jesus para as pessoas, mas não podemos esquecer que esses meios de comunicação em massa tem um propósito, e não são um fim em si mesmos. O início e o fim é sempre o Evangelho. Tudo o que fazemos é para a Glória de Deus.
7. O que uma Igreja pequena pode fazer?
Ponto principal: Uma Igreja pequena não deveria ter medo de ser o que ela é no mundo: uma Igreja pequena.
Não é a grandiosidade da Igreja que concede às pessoas a fé em Cristo, mas o Evangelho pelo qual uma igreja pequena vive aquilo que é o centro da Igreja – pequena ou grande. Jesus disse: “Eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome” (Apocalipse 3.8).
Conclusão
Apresentamos estes tópicos para a vossa discussão e ficaremos muito felizes em recebermos qualquer reacção. Envie um e-mail para: IELP, ou para o secretário da ELC Rev. George Samiec.
Soli Deo Gloria!
Porto, 5 de Junho de 2010.
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Representantes das Igrejas Filiadas:
Bélgica - ELKB – Pres. Rev. Gijsbertus VAN HATTEM
Dinamarca - ELFKiDk - Pres. Rev. Leif G. JENSEN, Sra. Lis JENSEN
France - EEL-SF - Pres. Rev. Jean Thiébaut HAESSIG (Presidente da ELC), Diaconisa Noëlle BOISNAULT
Alemanha - SELK - Bispo Hans-Jörg VOIGT, Rev. Roger ZIEGER, Rev. Markus NIETZKE, Sra. Gisela NIETZKE
Portugal - IELP - Pres. Jonas Roberto FLOR (Vice Presidente da ELC), Rev. Genivaldo AGNER, Sr. Antonio QUENTAL
Inglaterra - ELCE - Vice Presidente - Jon EHLERS, Rev. George SAMIEC (Secretário da ELC), Sra. Maria CREDÉ
Representantes das Igrejas Convidadas:
República Checa – SECAC - Bispo Stanislav PIETAK
Letónia - ELCL - Bispo Guntars DIMANTS
Rússia - ELCIR - Bispo Arre KUGAPPI, Rev. Fedor TULYNIN
Espanha - IELE - Pres. Rev. Walter RALLI, Rev. Gustavo LAVIA, Sr. Javier SANCHEZ RUIZ
EUA - LCMS - Rev. Brent SMITH
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