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Um Natal que é mais Natal
Um Natal que é mais Natal

"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz." (Isaías 9.6).

É curioso notar que na Bavária o advento é chamado de “tempo silencioso”, mas a verdade é que nos dias que correm, o advento tornou-se um tempo de barulho e confusão. Nós aprendemos na igreja que advento é tempo de arrependimento, de espera e de vigilância. Nos dias que correm, parece mais tempo de exagero, de procura e de distracção.

Nada parece mais contraditório do que o advento dos nossos dias.
Esta espera, arrependimento e vigilância culminam com a vinda do Senhor. Jesus veio. Essa é a razão primeira da nossa festa. Jesus vem. Essa é a razão segunda da nossa festa. Jesus virá. Essa é a razão terceira da nossa festa.

Jesus veio no primeiro Natal para que nós pudéssemos ter um verdadeiro Natal, para que nós nascêssemos de novo para uma vida que é eterna e que é de paz (Isaías 6.9). O Natal dos nossos dias perdeu o sentido tal como a maioria das pessoas o celebra e, quem sabe, nós mesmos. Jesus veio há muito tempo atrás. Nós não o vimos, os nossos pais não o viram, os nossos avós não o viram… Mas que raio! Já passaram mais de 2000 anos, como pode haver memória viva dele?

Jesus, crê-se, está mais no domínio do mito, da ficção, do que da realidade histórica. Todos quantos querem denegrir a fé cristã, e fazer todos os que crêem parecerem os mais ignorantes da história humana, e lançar a sua fé no fundo do mar dizem isso. Mas que Jesus nasceu, é um facto. Que Jesus viveu sem que nele se achasse pecado, é um facto. Que Jesus disse ser o Filho de Deus, é um facto. Que Jesus morreu numa cruz, é um facto. Que Jesus ressuscitou ao terceiro dia, é um facto. Isto não é uma ideia tola ou abusiva de um grupo de fanáticos quaisquer. Ninguém roubou o corpo, os guardas guardavam a porta, o túmulo estava vazio, os seguidores preferiram morrer a negar a verdade. A história de Jesus é certamente verdade. Que o mundo não nos convença do contrário.

Mas este facto histórico não é só uma coisa do passado. É uma coisa do presente e do futuro, porque influencia a nossa vida hoje e tem impacto na nossa vida eterna. Este facto é do presente porque Jesus vem a nós diariamente quando lemos as Sagradas Escrituras. Este facto é bem presente porque Jesus vem a nós semanalmente para dar-nos o seu corpo e sangue, que foi morto e derramado na cruz para perdão dos nossos pecados. Sim, Jesus é o Príncipe da paz porque nos reconcilia com Deus. Sim, Jesus é o Pai da eternidade porque nos faz viver eternamente.

Porque que é que não nos lembramos disso no Natal? Porque que é que o nosso advento já não é um tempo de arrependimento, de espera e de vigilância, mas de exagero, procura e distracção? Será que tudo o que aqui falamos sobre o que Jesus fez, é, e nos dá, não faz mais sentido? Ou, de outro modo, faz, mas estamos tão surdos pelo barulho e tão cegos pela confusão e consumismo da época, que não conseguimos ter um tempo de silêncio e meditação?

Não há nada de errado em que o Natal seja também uma festa da família, que o Natal seja também uma festa em que se recebem e se dão presentes. Os magos trouxeram presentes para oferecer a Jesus, o Pai Natal deixa presentes nos sapatinhos de todos os meninos, não é? Daqui a pouco teremos o nosso almoço de confraternização e nele nos alegraremos uns com os outros. Tudo bem com isso tudo. Mas tudo mal se o Natal é apenas a festa da família, do Pai Natal e dos presentes, que por acaso acontece ser, também, a festa de Jesus.

Meus amigos, os presentes podem ser uma desilusão, os ajuntamentos de família podem ser um fracasso (nós somos assim, insatisfeitos por natureza e rancorosos uns para com os outros). Só há uma coisa que pode trazer alegria e paz perpétua ao nosso Natal: Jesus. Só se Jesus for a razão da nossa festa podemos ter um Natal que faz todo o sentido em qualquer circunstância. Deixemo-lo entrar na nossa casa, deixemo-lo entrar na nossa vida. O Natal é um presente muito antigo. O Natal é um presente sempre novo. O Natal é um presente que também é futuro. Jesus virá um dia a buscar-nos, e viveremos com ele em glória eterna, na mais perfeita união.

Feliz Natal a todos.

Miguel Barcelos - Lisboa

Quarta 21 Dezembro, 2011
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